quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Presente de aniversário


Aniversário. Um monte de gente que você mal conhece te manda uma mensagem apenas porque existe um aplicativo para lembrar “olha, hoje é dia do fulano. Escreva qualquer coisa só pra ser cool”. Há alguns anos, ficar mais velho deixou de ser sinônimo de bolo, guaraná e muito doce para mim, mas isso não vem ao caso agora. Passei a me dar um presente que certamente me deixa muito feliz – e, claro, que motiva este post.

Em 2014, meu aniversário caiu em um sábado. Não passei aquele 8 de fevereiro em uma balada, uma festa, nem soprando velinhas. O presente que me dei foi uma ida para o ABC. Mais precisamente, para São Caetano, acompanhar o duelo entre o Azulão e o Velo Clube pela Série A-2 do Campeonato Paulista.

Tem gente que vai achar maluquice e um absurdo completo. Não me importo. Cada minuto passado ali nas arquibancadas do Anacleto Campanella valeu bem mais do que breves instantes de abraços e cumprimentos feitos apenas para constar na súmula.

Foi uma excelente tarde de futebol, com um 4 a 0 do São Caetano, conversa em dia com os verdadeiros amigos e, além do ingresso que ilustra este post, ainda achei dois de jogos anteriores do time da casa. É, a dona sorte resolveu me presentear também...

Voltei para casa com espírito renovado. Obviamente, pessoas queridas me deram parabéns sinceros. Presentes? Alguns. Mas o melhor deles não veio embrulhado. Foi aquele que resgatou a magia que sentia quando minha idade ainda não obrigava minha mãe a colocar duas velinhas no meu bolo.

sábado, 24 de janeiro de 2015

'Barcelusa' campeã e abraço de Roberto Leal

2015 chegou e a esperança de novos tempos para a Portuguesa fica cada vez mais longe da realidade. Em situação crítica, o clube do Canindé passa por uma crise financeira e moral sem precedentes. Greves de funcionários, clube em estado de abandono, estádio sem manutenção... os problemas extracampo se acumulam, assim como as dívidas com jogadores e a inoperância de sua diretoria. Diante de um momento tão sombrio, vale a pena relembrar um momento glorioso da Lusa – e nem tão distante assim.

O ingresso que ilustra este post foi adquirido em um dia histórico. Foi a primeira vez na qual fui ao Canindé e o vi tomado por uma multidão rubro-verde. Mais de 12 mil torcedores acompanharam a partida contra o Sport, pela Série B do Campeonato Brasileiro. A expectativa era justificada: a Portuguesa estava prestes a se tornar campeã nacional.

O empate por 2 a 2 deu o inédito título ao clube rubro-verde, que ganhou o apelido de Barcelusa – tamanha sua superioridade sobre os rivais. Tempos em que Edno (‘Peledno’), Ananias (‘Ananiesta’) e companhia faziam a Lusa ser temida em campo. Que contraste com os tempos atuais...

O ingresso que ilustra este post é, por si só, histórico. Afinal, não é todo dia que se vê a Portuguesa campeã. E muito menos com a oportunidade de acompanhar a partida decisiva com Roberto Leal a poucos metros de você – e ainda ganhar um abraço emocionado do cantor logo depois do apito final. Para completar, ainda houve distribuição de brindes ao público, e saí de lá com o meu depois de uma autêntica disputa de MMA.


Hoje, a Portuguesa junta os cacos para não passar vergonha no Paulistão. Aquela época de festa passou e certamente vai demorar muito para voltar. Resta olhar para este pequeno cartão e fazer uma viagem no tempo para relembrar os dias de glória.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Chicabon, Copa e um troféu da sorte


Parafraseando Nelson Rodrigues, sem sorte você não consegue ser um colecionador de ingressos. Muito embora me falte experiência e grandes negociações por raridades, devo me considerar um sujeito de sorte. Os amigos mais próximos já conhecem a “fama” e nem se espantam mais, mas eu ainda me surpreendo com algumas coisas que só acontecem comigo. O ingresso que ilustra este post é um belíssimo exemplo.

Brasil e Sérvia se enfrentaram em 6 de junho de 2014, uma sexta-feira. no Morumbi. Era o último amistoso da seleção brasileira antes de sua estreia na Copa do Mundo, no dia 12, contra a Croácia, no Itaquerão. Não pude ir à peleja no estádio tricolor e apenas me conformava com o relato dos amigos que lá estiveram. Paciência, ossos do ofício.

Seis dias depois, chegava o momento da tão aguardada abertura do Mundial. Saí do trabalho por volta das 14h e rumava para a casa dos meus pais. Uma caminhada de uns 15 minutos, mais ou menos. Aquele clima de festa, com pessoas de verde e amarelo pelas ruas, bares já lotados e tudo mais. Quando estava me aproximando de um barzinho perto da Faria Lima, aconteceu.

Não sei o que me levou a olhar para o chão, à direita. Ele reluzia, se destacando dos demais pedaços de papel jogados ali perto de uma pracinha. Já tinha visto algo parecido em algum lugar... Quando o peguei, mal pude acreditar: um ingresso, em excelente estado de conservação, de Brasil x Sérvia!


Acredito que algum cliente do barzinho ali da frente o tenha deixado cair quando chegou lá para ver a abertura da Copa. Afinal, nenhum ingresso estaria em tão bom estado se passasse por seis dias de sol, vento, chuva, pisões e sujeira. Naquele dia, minha Copa estava ganha – e com direito a levar um valioso troféu para casa, com espaço especial na minha galeria.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Massacre espanhol? O que vale mesmo é o carisma do Taiti



A menos de um mês do pontapé inicial para a Copa do Mundo, a expectativa já toma conta deste que vos escreve – não apenas pelo lado profissional, mas também pela ansiedade de tentar assistir a uma partida do Mundial in loco. Em 2013, a Copa das Confederações foi um belo aperitivo do que virá e, embora eu não tenha ido ao estádio para acompanhar a competição, ela tem seu espaço garantido na minha coleção de ingressos.

Se por um lado tive a satisfação de trabalhar na cobertura de um grande evento esportivo, por outro ficou uma pontinha de frustração; afinal, queria muito ver algum joguinho da Copa das Confederações, ainda mais com os relatos das aventuras vividas pelos amigos. E foi na redação que ganhei um belo presente do chefe Vinicius Mesquita: um ingresso de Espanha x Taiti, devidamente guardado como uma pequena relíquia.

Para os taitianos, disputar a Copa das Confederações foi a maior glória de sua história futebolística. A equipe da Polinésia Francesa sagrou-se campeã da Oceania em 2012 e veio para cá sem grandes esperanças. Enfrentar a campeã mundial Espanha no Maracanã, sem dúvida, foi um sonho realizado para atletas que dividem seu tempo entre a bola e seus empregos – o elenco contava com um contador, professores e até um alpinista.

Claro que a torcida adotou o Taiti como seu xodó. A simpatia apresentada pelos jogadores desde sua chegada ao Brasil cativou ainda mais o público, que teve até o herói Super Taiti (não é, Renato Rocha?) como uma mascote, digamos, pouco convencional. E ninguém, por mais fora da realidade estivesse, imaginaria algo diferente de uma goleada espanhola para cima dos polinésios.

E assim os gols saíram com naturalidade. Mesmo com um time misto, a Espanha tratou de abrir um 4 a 0 ainda no primeiro tempo. A Fúria voltou do intervalo com maior sede de gols e fez mais seis, dando números finais à peleja. A goleada de 10 a 0 nem arranhou a lua de mel entre brasileiros e taitianos, que já haviam apanhado da Nigéria (6 a 1) e levariam de 8 a 0 do Uruguai. Os placares pouco importaram; o título de seleção mais carismática já estava nas mãos do Taiti.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

San Marino, um sonho de consumo realizado


Para quem adora futebol alternativo (como este que vos escreve), a seleção de San Marino faz parte do topo da lista de sonhos de consumo. Afinal, a equipe é um tradicional saco de pancadas do futebol europeu e tem o carismático atacante Andy Selva como seu maior ídolo de todos os tempos. Não dá para deixar de simpatizar com um time assim, certo?

Ainda não tive o prazer de assistir a um jogo de La Serenissima, como também é conhecido o selecionado samarinês. Pelo menos tenho orgulho de ter em minha coleção um ingresso de uma partida deles. Esta possibilidade só me foi dada graças a Francisco Monteiro, colecionador de ingressos que tem uma vasta lista de contatos pelo mundo. Francisco tem uma história bacana sobre seu hobby, que foi contada pelo ótimo site Verminosos por Futebol. Para conferir, é só clicar aqui.

San Marino tem um dos currículos mais modestos da história do futebol mundial. Em 121 partidas oficiais, a equipe conquistou apenas uma vitória (contra o poderoso Liechtenstein) e três empates, com impressionantes 117 derrotas (!), a grande maioria de goleada. Os sanmarinenses fizeram parcos 20 gols e sofreram 527 (!!!). Selva, claro, é o maior artilheiro da seleção com oito gols marcados.

O ingresso que ilustra este post remete ao jogo contra a Irlanda do Norte no simpático estádio Olímpico de Serravalle. A partida, válida pelas eliminatórias da Copa do Mundo-2010, foi acompanhada por um público de 1.942 pessoas – menos da metade da capacidade total de 6.664 torcedores. Este foi o segundo confronto na história entre as duas seleções; os norte-irlandeses haviam vencido por 4 a 0 em outubro de 2008, pelas mesmas eliminatórias.

E não foi desta vez que os torcedores samarinenses voltaram para casa com a segunda vitória de suas vidas. Com o desfalque de Selva, San Marino sofreu mais uma derrota: a Irlanda do Norte venceu por 3 a 0 e manteve vivas suas esperanças de classificação para o Mundial na África do Sul. No final, a Eslováquia ficou com a vaga e a Eslovênia foi para a repescagem, quando também se classificou ao superar a Rússia.


O resultado não foi dos mais vergonhosos para San Marino; nestas eliminatórias da Copa-10, La Serenissima ainda apanhou de 10 a 0 da Polônia, de 7 a 0 da Eslováquia e da República Tcheca e de 5 a 0 da Eslovênia. Nem precisa dizer que eles foram os lanternas de sua chave, para variar. Quem sabe a segunda vitória do selecionado samarinês não está reservada para minha visita ao estádio de Serravalle?

terça-feira, 18 de março de 2014

Dr. Brown na Bengala Azul? Tudo é possível em São Caetano

Assistir a uma partida no Anacleto Campanella significa ter uma chance de trombar com o DeLorean parado no estacionamento. Ou então ver que o doutor Emmett Brown está lá no meio da torcida Bengala Azul enquanto Mart McFly tenta resolver algum problema. Não entendeu nada? Bom, sempre que vou ao estádio da cidade de São Caetano do Sul tenho a nítida sensação de voltar ao tempo.

A história do ingresso que ilustra este post é uma das mais simbólicas deste “De volta para o futuro” no Anacleto. Fui lá no dia 12 de fevereiro para acompanhar à peleja São Caetano x Mirassol, pela Série A-2 do Paulista. Enquanto aguardava o início do jogo, caminhei pelas arquibancadas do estádio, que já esteve apinhada de gente em jogos da Libertadores e hoje vê alguns abnegados que sofrem com o declínio do Azulão.

O curto passeio valeu a pena: o ingresso de São Caetano x Guaratinguetá, realizado onze dias antes, estava jogado em um canto. Fiquei surpreso pelo excelente estado de conservação do bilhete, já que neste intervalo de tempo houve um sol de rachar e chuvas dignas de um dilúvio. Ainda encontrei mais ingressos de partidas passadas, mas elas ficam para outro post.

E esta não foi apenas uma coincidência, nem a primeira vez na qual encontrei um ingresso de jogo mais antigo ali. Em minhas investigações para descobrir a razão deste fenômeno (sim, o lado jornalista também trabalha nas horas de folga), vi que o segredo de tudo está em uma das catracas do Anacleto, que por algum motivo “engole” alguns ingressos, que depois são descartados – para minha satisfação, claro.


No jogo em si, o São Caetano obteve uma vitória suada por 1 a 0, com o único gol da partida marcado nos acréscimos do segundo tempo. O público pagante de 268 pessoas só não imaginava que o time do ABC lutaria para evitar o segundo rebaixamento seguido no estadual, devido aos péssimos resultados nas rodadas seguintes da A-2.

terça-feira, 11 de março de 2014

Raridade encontrada no ralo do estádio

Nem sempre obtenho os ingressos da minha coleção de uma maneira, digamos, ortodoxa. A grande maioria deles foi encontrada nas arquibancadas, esquecidos por algum torcedor que pouco se importava com aquele pedaço de papel. O bilhete retratado neste post foge um pouco desta regra: ele foi encontrado em um ralo na Arena Barueri.

Antes que alguém pense “nossa, que coisa nojenta”, uma explicação. O ingresso não estava em um ralo de banheiro, com ratos, baratas e outras cositas mas. Em torno do gramado da Arena Barueri, existe uma espécie de canaleta para conduzir a água da chuva. Durante o intervalo de Sport Barueri x Joseense, em 24 de julho de 2012, caminhava tranquilamente do lado de fora do campo quando encontrei o referido ingresso da partida realizada quase uma semana antes.

O jogo entre Sport Barueri e São Vicente, válido pela segunda fase do Campeonato Paulista da Série B (a quarta divisão estadual), terminou com a goleada por 4 a 0 da equipe do litoral. Os dois clubes se classificaram para a fase seguinte da competição e voltariam a se enfrentar na quarta e decisiva fase. O placar apontou o triunfo por 2 a 0 do São Vicente, que encaminhou seu acesso para a terceira divisão. Já o Sport Barueri viu frustrado seu sonho do acesso.

O mais intrigante de toda a história, além de saber como é que aquele ingresso foi parar no ralo do estádio, é ver o borderô do jogo. Foram vendidas apenas dez entradas para o setor indicado no bilhete – ou seja, tive uma enorme sorte de encontrá-lo por conta de sua raridade e pelo excelente estado de conservação apesar da forma como foi encontrado.


Enquanto tentava desvendar o mistério do ingresso, acompanhei o restante do jogo Sport Barueri x Joseense, que terminou empatado por 1 a 1. Um bom jogo, com público ainda menor (118 pagantes contra 137 da semana anterior), mas voltei para casa sem achar bilhetes daquele dia. Talvez encontrasse algum se voltasse à Arena Barueri na semana seguinte...